• pré-Univesp – No. 14 2011 – TICs e educação – Setembro de 2011
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Novo papel do professor

O uso de tecnologias digitais em sala de aula exige investimento constante na formação dos professores

Por Klaus Schlünzen Junior*
Novo papel do professor
15/09/2011

 


As expectativas de transformações na escola precedem, fundamentalmente, o uso das Tecnologias Digitais (TD), uma vez que estão diretamente relacionadas com as mudanças na prática pedagógica do professor. O foco real da busca por um sistema educacional diferenciado nessa perspectiva recai sobre o ser humano, sendo este reconhecido como principal agente das mudanças necessárias. 

As competências do professor estabelecidas pela Unesco (Unesco, 2008) indicam que é preciso melhorar a prática docente em todas as áreas, desde seu desempenho profissional, combinando competências em TD com inovações pedagógicas, planejamento escolar e organização dos ambientes de aprendizagem. Com essas competências, pode-se melhorar as estratégias de ensino e transformar o professor em um líder de inovação dentro de suas respectivas instituições, o que repercutirá na melhoria da qualidade do sistema educativo de uma maneira geral.

Por sua vez, como o professor poderá utilizar adequadamente as TD na escola se em seu processo de formação não encontra subsídios teóricos e práticos para sua atuação docente?

Moraes e Valente (2008) afirmaram que a construção do conhecimento e o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem dependem do que somos capazes de ver,  perceber,  interpretar, construir, desconstruir e reconstruir o conhecimento com a realidade. Por sua vez, quando observamos o uso das TD nos processos de formação inicial e continuada do professor, identificamo-las, na sua grande maioria, como objeto de estudo e não como ferramenta de apoio e de mudança na escola. Assim, a interpretação que os professores dão ao trabalho pedagógico com as TD, muitas vezes, se restringe a uma visão técnica, completamente desconectada de sua prática e das estratégias pedagógicas que utilizam em sala de aula.

No entanto, o uso das TD supõe uma linguagem particular ou um sistema de representação diferente daquele com o qual o professor está habituado. Como toda linguagem, é adquirida por meio do seu uso em situações sociais, mediante atividades relacionadas à prática e a metas (Coll & Monereo, 2008). Diante da distância que existe entre o que o professor supostamente aprende durante sua formação relacionada ao que espera com uso das TD, percebem-se as dificuldades que este professor terá quando em ação profissional nas escolas, uma vez que estará diante de um grupo de alunos que aguarda por conhecimento a ser construído individualmente e coletivamente por meio de estratégias pedagógicas que consideram o contexto e práticas sociais e que usam as TD. Infelizmente, a linguagem das TD é praticamente desconhecida no seu uso pedagógico e/ou negada na formação inicial. 

A solução para este problema consiste, portanto, em investirmos constantemente na formação dos nossos professores. No entanto, ela não deve ser somente permeada por prepará-los para o uso da tecnologia. É necessário amparar, oferecer condições para que eles possam se sentir seguros na sua nova prática pedagógica. Estas condições passam por uma formação constante, em um movimento entre a teoria e a prática.

Outro aspecto importante é focarmos em inovações metodológicas. A formação do professor deve dar-lhe meios para auxiliá-lo a descobrir um outro modo de agir e de mudar para o benefício dos alunos. Dessa forma, precisamos, inicialmente, provocar no professor uma consciência sobre o processo de ensino e aprendizagem, instalando um estado de insatisfação com a própria prática pedagógica vigente e, consequentemente, criando um desejo de mudança. Isto gera um movimento de percepção e reflexão na busca de estratégias pedagógicas que possibilitam uma aprendizagem mais significativa e contextualizada.

Nesse sentido, a formação inicial do professor é o elemento-chave e estratégico para a construção, inovação e melhora da qualidade de qualquer contexto educacional inclusivo. O papel do professor e a sua redefinição devem ampliar suas competências para lidar com as transformações da Ciência e da Tecnologia. Esse é um dos grandes desafios a ser superado, associado à capacidade de planejar e desenvolver no alunado as competências relacionadas a uma cultura audiovisual, digital e inclusiva, que assegure um nível de alfabetização digital e de cultura inclusiva. E, além disso, saber integrar e usar pedagogicamente as TD em sua prática profissional, de maneira a impregná-la em sua ação docente, da mesma forma como as tecnologias estão impregnadas em nosso cotidiano.

Finalmente, destaca-se a importância de desenvolver novas competências no professor que lhe permitam trabalhar no projeto político-pedagógico da escola, sendo membro atuante na comunidade escolar, participando das decisões e contribuindo com a sua experiência na busca de soluções para os problemas que a escola brasileira enfrenta.

*Klaus Schlunzen Junior é coordenador do Núcleo de Educação a Distância (NEaD) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

 

Referências:

COLL, C. & MONEREO, C. (2008). Psicología de la educación virtual. Madrid: Morata.

MORAES, M.C., VALENTE, J.A.(2008). Como pesquisar em educação a partir da complexidade e da transdisciplinaridade? São Paulo: Paulus.

UNESCO (2008). UNESCO’s ICT competency standards for teachers. Towards ICT skills for teachers. 2008. Disponível em: http://www.eduteka.org/pdfdir/UNESCOEstandaresDocentes.pdf

 

Arte: Luiz Carlos Ferreira

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